Lisboa sem S.A.L. não tinha o mesmo sabor!
Written by Paulo Lourenço / 01 Jul 2012 / 0 Comentários
Jim’s Lines (5’) – Patrick Trefz (2008, EUA)
Era chegada a festa de encerramento do S.A.L. e nada melhor para acabar o festival do que um pouco da arte (neste caso Land Art) de Jim Denevan. Como é habitual na Land Art, as obras de Jim Denevan são efémeras, pois o suporte em que são executadas é também responsável pela sua destruição, a natureza. Neste caso, o cenário escolhido é uma praia (como não podia deixar de ser), o suporte da obra é a areia molhada e o “apagador” as ondas do mar, cuja tarefa é deixar a “tela” de Jim de novo em branco.
Jim’s Lines mostra-nos como Jim Denevan concebe uma das suas obras, usando apenas um ancinho e uma bicicleta. Pouco a pouco, aquilo que parecem uma série de marcas desconexas na areia, ganha forma criando um “quadro” de carácter abstracionista, cuja percepção total só é possível a partir de uma distância considerável, neste caso do cimo de um penhasco, dada a sua dimensão monumental.
Para quem não conhece a Land Art, este curto documentário é um excelente cartão de visita, que irá certamente despoletar o interesse (ou no mínimo a curiosidade) por esta admirável forma de expressão artística.
Idiosyncrasies (65’) – Patrick Trefz (2010, EUA)
O título não engana! Idiosyncrasies é isso mesmo, uma compilação de retratos individuais cujo foco incide nas idiossincrasias de cada um dos intervenientes relativamente à sua relação com o surf e com o mar.
Em cada retrato (bem conseguido por parte de Trefz), cada pessoa relata a história do seu percurso e da sua relação com o surf. Se por um lado a disparidade entre dos pontos de vista e as próprias “personagens” dá um colorido interessante ao filme, tornando-o talvez um dos documentários mais heterogéneos que conheço, por outro talvez peque um pouco pelo facto de não haver nenhuma progressão especifica em termos narrativos, tornando-se por isso mesmo bastante episódico. Para dar um exemplo, a ordem de aparição das personagens poderia ser a escolhida por Trefz ou outra qualquer. Ou então, esta longa-metragem poderia ser decomposta numa série de curtos episódios, cada um dedicado a uma das “personagens”, que não perderia grande coisa com isso.
No entanto acaba por ser uma compilação interessante e por vezes inspiradora, que nos dá uma noção da infinita diversidade do universohumano.
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